Você julga um cachorro pela aparência ou pela raça?

Você julga um cachorro pela aparência ou pela raça?

O mundo canino é diferente do humano: a primeira impressão não é a que fica

 

Dizem que basta uma fração de segundo para se formar a primeira impressão sobre alguém. Pesquisas indicam que essas ideias iniciais são tão fortes que nem mesmo os fatos são capazes de desmenti-las facilmente. De acordo com Nicholas Rule, pesquisador da Universidade de Toronto (Canadá), isso acontece, muitas vezes, de forma involuntária e subconsciente. No entanto, acontece mais frequentemente com pessoas que usam apenas a própria régua para “medir” ou julgar atitudes alheias, são inclinadas à sistematização excessiva, não são muito abertas a novas formas de pensar e têm dificuldade em perdoar.

Uma coisa que Tia Lets acredita demais é que, com os bichinhos, é preciso ser, além de estudioso, uma pessoa aberta, sem frescura, sem estigmatizar por causa de uma atitude isolada. No meu começo com o Bruce, apliquei todas essas crenças.

husky siberianoEle é um bebezão, muito grande e forte para a idade (não tem nem 1 ano). Fica bastante ansioso para brincar e passear. Em nosso primeiro encontro, ele pulou muito e deixou um monte de roxos na minha perna. No segundo, mudei a forma de cumprimentá-lo e foi menos tumultuado. No terceiro, já consegui fazer uma aproximação amigável e tranquila, sem pulos. Ele já associa que encontrar a Tia Lets é bom (oba! oba!) e que depois vai ficar ainda melhor (passeio! passeio!), desde que ele fique mais calmo.

Durante nossa caminhada, ele é obediente (quase o tempo todo), não pula e é muito delicado com cachorros menores. Adora crianças. Mas é claro que o tamanho assusta. Por sorte, a beleza e a simpatia dele — além da firmeza com a qual eu seguro a guia — quase sempre ofuscam o medo. Mas o Bruce é muitas vezes julgado negativamente pela sua aparência, raça e tamanho. Nós, humanos, somos muito rápidos para assumir coisas sem saber a real. E o pior, somos bons nisso!

Somos tão fissurados nesse tipo de julgamento que existe até uma famosa “equação da confiança”, criada pelo consultor Charles H. Green: credibilidade + segurança + intimidade / auto-orientação. O fator de divisão é justamente a auto-orientação: o outro está mais preocupado com seus próprios ganhos ou com você?

Eu acho essa equação até bem bacana (mas não infalível, porque a vida não é matemática nem sistemática) por causa dessa linha de corte. Ela se aplica a algumas ocasiões em que tive contato com pessoas extremamente focadas em si mesmas e que só mantém uma interação quando veem alguma vantagem.

A equação não pode, grazadeus, ser atribuída aos bichinhos, que vivem sob outra lógica. Na prática, isso quer dizer que não há uma fórmula a ser aplicada para definir o grau de confiabilidade de um cão. E, se não há uma fórmula (por exemplo: fofinho+pequeno+peludo / inseguro, hehehehehe), significa também que NÃO podemos ignorar procedimentos de segurança e treinamento com nenhuma raça ou porte de animal. Seja o doguinho fofinho e delicado ou o cachorrão grandão e fortão.

É isso que vai garantir uma segunda chance para o Bruce quando for julgado pela aparência: ele estar em segurança e calmo, preparado para se comportar diante de vários estímulos.

Desenho da Tia Lets - iconeDica da Tia Lets
Um dos maiores erros cometidos na hora de começar o adestramento de um cachorro é criar regras com base na forma como as pessoas pensam, o que simplesmente não faz sentido para o animal. O foco deve estar em melhorar a comunicação entre tutor e cão, gradualmente, com reforço positivo e sem emprego da lógica de dominância e dominado. Fechou?

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